Dois amigos conversavam no momento em que um palito de dente se quebrou em duas partes, uma menor e outra maior. De modo que ambas se achavam a maior.
Mas antes disso, as duas pontas viviam em harmonia. Unidas, viviam aproveitando todos os momentos ao máximo. Porém, as duas não conversavam muito sobre as situações ruins, pois pensavam que estariam sempre juntas, num só palito e que as tais situações passariam, eventualmente. No entanto, a resistência do palito era mais baixa do que parecia e este, então, quebrou.
Ambas as pontas se sentiam com a razão e nenhuma cedia a outra como errada. Aconteceu então de uma delas ter sido arrastada para dentro de um copo de chopp, tipo tulipa, daqueles com o fundo difícil de ser alcançado. O palito quebrado era agora, além disso, um palito com as duas pontas distantes uma da outra.
A ponta no fundo do copo sofria enquanto se afogava num resto de Coca-Cola e a ponta do lado de fora apenas olhava, até não aguentar mais e se jogar também. A tulipa agora continha as duas pontas de palito, quebrado, que, agora, discutiam a sua relação enquanto separadas.
Palavras vem e palavras vão, enquanto a boca do copo parece estar mais distante das duas pontas distantes em ideias. E, depois de muitas conversas e argumentos repetidos, vem o consenso e a ideia em comum: as pontas resolvem se ajudar.
E se juntam.
A saída fica então mais próxima e o palito, agora reconstruído, foge de dentro da tulipa. Este, agora em equilibrio na boca do copo, enxerga o fundo distante e a queda é impossível. A harmonia é novamente alcançada e o laço é refeito, assim como o palito está novamente integrado.
Ambas as partes agora são só uma, por motivo único: souberam conversar e se ajudar. Sozinhas, a saída era distante. Juntas, ficaram visíveis, de modo a conseguirem escapar. Nem sempre o palitinho menor ganha o jogo. O palito unido venceu.
Os amigos foram embora do bar, mas a conversa continuou.
ps.: Texto para um amigo negro (como prometido! LOL)
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Essa mesmo
Aquela chuva maldita, que me fez parabenizar a Citroen pelo fato do C3 ser um barco, além de um carro.
Aquela poça d'água, que era praticamente um lago na verdade.
Aquela música, que eu ouvia todo dia e me dizia algo que eu nem sabia.
Aquela menina que se sentou ao meu lado e dormiu.
Que eu olhava o tempo inteiro, tentando ser discreto, em vão.
Que eu só imaginava a possibilidade de haver alguma coisa.
Aquela mesmo, que eu namoro agora.
Que eu ofereci carona numa quinta-feira.
E em outra.
E em outra.
Até que, em uma...quarta-feira...aconteceu.
O que acontece agora, e vai continuar acontecendo.
Aquela menina?
Essa mesmo.
Parecia inofensiva, só parecia.
E viva a Citroen.
Aquela poça d'água, que era praticamente um lago na verdade.
Aquela música, que eu ouvia todo dia e me dizia algo que eu nem sabia.
Aquela menina que se sentou ao meu lado e dormiu.
Que eu olhava o tempo inteiro, tentando ser discreto, em vão.
Que eu só imaginava a possibilidade de haver alguma coisa.
Aquela mesmo, que eu namoro agora.
Que eu ofereci carona numa quinta-feira.
E em outra.
E em outra.
Até que, em uma...quarta-feira...aconteceu.
O que acontece agora, e vai continuar acontecendo.
Aquela menina?
Essa mesmo.
Parecia inofensiva, só parecia.
E viva a Citroen.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Transitando
Todos os encontros, todos os poemas, todo ser humano. Tudo pode ser inspiração. Causa ou consequência. Proposital ou por experiência.
O trânsito estressa. É a hora em que tudo passa pela cabeça, e o tempo tembém passa. As motos passam. Os carros não passam. O stress também não.
E a inspiração até vem. Tímida, mas vem. Devagar, sem muita objetividade, ela chega, da mesma maneira que o carro ao lado, como não quer nada.
Quem pega trânsito pode se estressar, mas também pode aproveitar. As mulheres retocam a maquiagem. Os homens fazem ligações. Eu escrevo. Como o ilegal é legal.
Há conhecidos que se encontram e desconhecidos que se conhecem. Nada como a simpatia do brasileiro e... lá está a CET.
O trânsito estressa. É a hora em que tudo passa pela cabeça, e o tempo tembém passa. As motos passam. Os carros não passam. O stress também não.
E a inspiração até vem. Tímida, mas vem. Devagar, sem muita objetividade, ela chega, da mesma maneira que o carro ao lado, como não quer nada.
Quem pega trânsito pode se estressar, mas também pode aproveitar. As mulheres retocam a maquiagem. Os homens fazem ligações. Eu escrevo. Como o ilegal é legal.
Há conhecidos que se encontram e desconhecidos que se conhecem. Nada como a simpatia do brasileiro e... lá está a CET.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Cordas
Ele era um menino criado no campo. Ela era uma nenina da cidade, de família. O destino dos dois se cruzou na música. Ela cantava e ele tocava o violão que ganhara do pai, como lembrança única de seu falecimento.
Se conheceram, brigaram, fizeram música, brigaram, se casaram, e ela faleceu.
Por trás de todas as fotos e objetos, estava a voz dela que, combinada ao violão do pai, formava a música que tanto valorizava e que agora lhe fazia falta.
Foi, então, a vez dele de falecer, alguns meses depois dela. As cordas (do violão) não faziam mais sentido sem as cordas (vocais). Assim se acabaram os acordes, e o amor continuou, atado.
Se conheceram, brigaram, fizeram música, brigaram, se casaram, e ela faleceu.
Por trás de todas as fotos e objetos, estava a voz dela que, combinada ao violão do pai, formava a música que tanto valorizava e que agora lhe fazia falta.
Foi, então, a vez dele de falecer, alguns meses depois dela. As cordas (do violão) não faziam mais sentido sem as cordas (vocais). Assim se acabaram os acordes, e o amor continuou, atado.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Pontuação
O ponto que ressalto é que vi um ponto partindo de um certo ponto a outro, enquanto estava parado no ponto de ônibus.
Apontei para o ponto e, ao mesmo tempo, senti uma pontada no pulso. Como uma ponta pontiaguda, a tendinite me pontava.
Uma garota veio do ponto aonde estava até o meu ponto. Expliquei-a sobre o ponto que partia de um ponto a outro e que senti uma pontada no pulso enquanto o apontava.
Ela ficou desapontada com a minha história e me apontou um pronto-socorro daquele ponto. A que ponto cheguei?
Prontei-me em ir ao pronto-socorro apontado por uma menina que se desapontou com uma pontada que eu senti no pulso, após apontar para um ponto que partia de um ponto a outro, enquanto estava no ponto de ônibus.
Ponto pra mim?
Ponto final.
Apontei para o ponto e, ao mesmo tempo, senti uma pontada no pulso. Como uma ponta pontiaguda, a tendinite me pontava.
Uma garota veio do ponto aonde estava até o meu ponto. Expliquei-a sobre o ponto que partia de um ponto a outro e que senti uma pontada no pulso enquanto o apontava.
Ela ficou desapontada com a minha história e me apontou um pronto-socorro daquele ponto. A que ponto cheguei?
Prontei-me em ir ao pronto-socorro apontado por uma menina que se desapontou com uma pontada que eu senti no pulso, após apontar para um ponto que partia de um ponto a outro, enquanto estava no ponto de ônibus.
Ponto pra mim?
Ponto final.
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