sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Cinco minutos

pouco tempo se comparado ao que vivemos num dia, numa semana, ou enfim.

Cinco minutos
são suficientes pra desviar a atenção de alguma coisa e ela mudar totalmente.
Cinco minutos
bastam pra se criar um problema.
Cinco minutos
o resolvem.
Cinco minutos
formulam idéias na mente humana.
Cinco minutos
as apagam e as substituem.
Cinco minutos
não são nada.
Cinco minutos
são tudo.
Cinco minutos
transformam o tudo no nada.
Cinco minutos
transformam o nada no tudo.

Cinco minutos
são mais do que suficientes para tudo.

Alguém me dá cinco minutos de atenção?

ps: Texto escrito durante a viagem pra praia, postado no dia 02/01/08, com data alterada para o dia da escrita do mesmo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Quickie - in English

The first impression you get from anything is what you see at the store window.
To know it better, you have to try it.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Descanso para o bom velhinho

Muitos julgam o Natal como sendo o ápice do capitalismo, onde todo mundo faz rushes desesperados em busca de presentes pra todos. Os preços sobem, tudo vende muito, tudo fica raro. As ruas ficam intransitáveis. Do mesmo jeito que as calçadas, as galerias, os shoppings e os estacionamentos de shoppings, principalmente.

O (in)consciente coletivo faz todo mundo fazer a mesma coisa ao mesmo tempo. Em tempos natalinos então, nem se fala. Fui tentar fugir do trânsito de uma avenida de Osasco passando por um estacionamento de shopping pra evitar os semáforos. Acontece que todo mundo deve ter resolvido fazer isso, sem contar a galera que já estava saindo das compras de Natal. Resultado: trânsito no estacionamento do shopping - e eu nem estava procurando uma vaga.

Mais tarde, deixei a minha parte paulistana falar mais alto e fui pra um shopping da cidade. Numa noite que antecede o Natal em 5 dias, o que mais esperar? Trânsito, no estacionamento. Incrivelmente, a insuperável - e sempre intransitável, juntamente com a Tietê - Marginal Pinheiros estava relativamente fluindo, pelo menos no pequeno trecho em que a usei. Doce ilusão de que o tráfego no shopping Villa-Lobos seria igual.

Malandro que sou (rs), como sempre costumo fazer ao ver os shoppings cheios, fui até o canto mais oculto do estacionamento, o terceiro subsolo. Só que, mais uma vez, o (in)consciente coletivo atacou. "Aproximadamente todo mundo" estava no maldito canto outrora oculto do shopping. E se aquele era o canto oculto, imaginemos o resto dos cantos.

Temos duas opções: ou os outros dois subsolos estavam absurdamente lotados pra todo mundo ir pro terceiro, ou todos resolveram ir pro terceiro pra serem malandros, que nem eu tentei ser. Humanos, tsc. Sempre desperdiçando sua malandragem à toa. Enfim, custei a achar uma vaga, mas achei. Tudo isso pra comprar presentes pra família, pra aquilo que chamamos de "amigo secreto" - ou oculto.

Dentro do shopping, não poderia ser diferente. Gente por todos os lados, todas as lojas cheias, todo mundo ocupado. Todo mundo atrás do presente perfeito, seja lá pra quem fosse esse tal presente. Andei bastante e comprei (quase) tudo o que tinha que comprar. Cansado, fui embora depois de me perder no estacionamento procurando meu carro.

Ainda bem que tudo isso acontece só uma vez por ano. Shoppings fazendo hora extra, clientes fazendo hora extra pra aproveitar a hora extra do shopping - o Shopping Morumbi está fechando nesse momento, às 2h00 - e toda aquela correria. Agora, um dia de descanso depois de dois dias de correria atrás de presentes, dia que eu encaro como preparação para o último dia de correria, que promete ser ainda mais intenso.

Reza a lenda de que o bom velhinho, aquele conhecido como Papai Noel tem uma fábrica em sua "casa", seja lá onde ela for, na Islândia, na Suécia, na Finlândia, no Pólo Norte (tivemos uma disputa recente pelo patriamento do velho) ou enfim, na casa do caralho. Ainda bem que ele tem essa fábrica.

Se ele não tivesse, além dos clientes habituais fazendo hora extra por aí pra comprar os presentes, teríamos aqueles duendes simpáticos em todas as lojas comprando tudo pra levar pro velho Noel embrulhar e distribuir.

Ô vida dura aquele velho tem. Descansa 364 dias no ano, não precisa fazer correria em shopping atrás de presentes, não enfrenta trânsito de trenós no céu, não procura vagas pra parar as renas em lugar nenhum... É, algum velho precisa descansar, parar de reclamar e não é o grande Santa Claus.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Infância perdida, muito bem vivida

Ganhei o meu primeiro videogame quando eu tinha uns 5 anos. Foi o passaporte pra infância perdida, ou ganhada, dependendo do ponto de vista.

Eu morava num prédio onde os moradores não podiam usar a garagem pra nada senão pra estacionar os veículos. Fato esse, que, impedia os moradores júnior do prédio - meu caso na época - de brincar de qualquer coisa.

Mais ou menos na mesma época, eu ganhei uma bicicleta, daquelas que vinham com rodinhas do lado. Como já disse, não podia brincar na garagem, então era difícil. Além disso, o prédio ficava numa ladeira cujo final se juntava com uma saída da rodovia Castelo Branco. Ou seja, descer a ladeira de bicicleta não era uma boa idéia.

Meu pai sempre trabalhou muito durante as semanas - nunca o vi em férias - e ele costumava usar os domingos pra descansar em casa. Minha mãe não dirigia na época. Portanto, não era todo domingo que eu podia andar de bicicleta na Cidade Universitária (aberta a todo o povo na época) com meu pai, sendo que ainda não existia Parque Villa-Lobos e meu pai, até onde eu sei, não sabia andar de bicicleta. Então, a idéia de andar de bicicleta no corredor do nosso apartamento não era lá muito boa e meu pai acabou por vender as mesmas.

Enquanto isso, eu ganhava mais e mais jogos de videogame, ficava melhor neles e esquecia da idéia de andar de bicicleta. Até que, aos sete anos de idade, aconteceu o desastre: meus pais compraram um computador. De vez em quando eu até jogava bola no corredor com meu irmão, mas o maldito aparelho reinava soberano, era motivo-mor de disputas entre nós.

Em alguns domingos, íamos a casa de meus tios-avós e eu, é claro, ficava no computador da minha prima. Minha mãe ficava com a minha bisavó, já bem velha, bem doente, a qual eu sempre chamei de "vó". Ela veio a falecer quando eu tinha meus oito anos. Foi a única "vó" que eu conheci.

Não tive histórias de vô e vó, não sei andar de bicicleta, nunca empinei pipa e nunca joguei futebol na rua de casa.

Tive computador e videogame. Pai e mãe. Alguns poucos amigos que iam em casa pra jogar. Tive irmão.

Mas enfim, agora sim, hora de adquirir o ponto de vista.

O que é uma infância perdida? O que é uma infância bem aproveitada?

A infância perdida é aquela que não foi vivida, que não existiu. A infância bem aproveitada é aquela que existiu e você pode contá-la.

Sinto pena por não ter conhecido meus avós, mas não me esqueço do resto da minha infância, muito bem vivida.

ps.: Texto escrito no celular numa tarde ensolarada num domingo, em que eu, sentado no Parque Villa-Lobos, via as pessoas andarem de patins e bicicleta pra lá e pra cá, enquanto eu ficava apenas sentado.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Ecos, silêncio, paciência e graça

"What if I say I'm not like the others?"

Toda banda ou artista musical ao gravar um cd novo e ser questionado sobre o mesmo, diz ser o melhor da carreira.

"Várias bandas por aí já tem inúmeros melhores álbuns da carreira."

Foi o que eu pensei ao ouvir que Dave Grohl, do Foo Fighters, disse a mesma coisa sobre o cd mais recente da banda, o "Echoes, Silence, Patience and Grace".

Ainda bem que eu quebrei a cara nessa, e quebrei bonito ainda.

O Foo Fighters recebeu cinco indicações ao Grammy: álbum do ano, melhor álbum de rock, melhor canção de rock, melhor performance hard rock e gravação do ano, as três últimas com a música "The Pretender", que está no melhor álbum de rock e melhor álbum do ano.

Tá certo que eu não gosto de acreditar muito nessa de prêmios, mas acho que apoio o Grammy dessa vez. Nenhum cd desse ano é melhor que "Echoes, Silence, Patience and Grace" e nenhuma música é melhor que "The Pretender".

Realmente, como Grohl disse, "é o melhor álbum da carreira deles".

ps. "What if I say I'm not like the others?" é uma frase do refrão da música "The Pretender", que quer dizer "e se eu dizer dissesse que não sou como os outros?" Falou e disse.

Vídeo da melhor música do ano: The Pretender